Agricultura precisa ter mais eficiência hídrica, aponta Conselho da Água.

Segunda-feira, 26 de março de 2018 às 10h 07

Atividade agrícola tem de se tornar mais eficiente no uso da água, evitando ao máximo os desperdícios, afirmou o presidente do Conselho Mundial da Água (WWC – Water World Council, em inglês), Benedito Braga, nesta quinta-feira (22/3), na apresentação do balanço dos resultados do 8º Fórum Mundial da Água. Braga defendeu que a irrigação deve ser utilizada somente quando extremante necessária e, para isso, é preciso ampliar o uso de mecanismos de previsão de tempo e de chuvas. “Ou seja, tecnologia de previsão de tempo entrando na operação dos sistemas de irrigação. O uso de gotejamento, de técnicas mais eficazes para determinadas culturas”, comentou o presidente do WWC, ao resposta a questionamento da Revista Globo Rural.

Braga disse que é preciso reconhecer a agricultura é um usuário importantíssimo (na produção de alimentos). Ainda assim, ressaltou que “70% do uso da água no mundo é feito pela agricultura”.  “O que se discutiu aqui foi a necessidade de se trabalhar da forma mais eficiente possível”, comentou. Foram respostas técnicas, embora pouco “simpáticas” à agropecuária.

Mas logo após os comentários de Braga sobre o papel da agropecuária na questão hídrica, foi a vez do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), apresentar uma opinião bastante mais positiva sobre a importância do setor rural nesse setor. “Hoje, a agricultura, além de ter um papel muito importante de usar a água de forma racional, tem outro papel muito importante. Em Brasília, por exemplo, a preservação da área rural é fundamental para manter a qualidade de vida no meio urbano. O meio rural pode viver sem a cidade, mas a cidade não pode viver sem o meio rural. E a nova agricultura não apenas consome água, mas tem condições de produzir água”, destacou o governador.

Rollemberg ressaltou que no Distrito Federal os projetos de reflorestamento, de recuperação de bacias, de recuperação de nascentes, com o pagamento dos serviços ambientais, fazem que muitos córregos antes ameaçados estejam ressurgindo e produzindo água. “Novas tecnologias, como sistemas agroflorestais e o plantio direto, também demonstram a capacidade da agricultura de conviver de forma muito mais sustentável com a questão da água”, apontou o governador do DF. Desde o ano passado, o Distrito Federal enfrenta uma crise hídrica, o que impôs racionamento de água nas áreas urbanas.

Nível político
O presidente do WWC destacou que Fórum Mundial conseguiu conversar diretamente com os parlamentares, o que encurta caminhos na construção de legislações que promovam maior segurança hídrica. “Conseguimos elevar a discussão da água para o nível mais alto da política”, disse. Ressaltou que foi apresentada, durante o Fórum, proposta do senador Jorge Viana (PT-AC) que estabelece a água como um direito humano fundamental, por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 4/2018). A matéria aguarda a designação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado.

O balanço do Fórum destaca que 56 ministros e 14 vice-ministros de 56 países participaram da Conferência que aprovou a declaração “Chamado urgente para uma ação decisiva sobre a água”. Esse texto, produzido a partir de discussões entre ministros e chefes de delegações de mais de cem países, aponta ações prioritárias para garantir acesso à água e ao saneamento.

Durante o Fórum, autoridades locais e regionais também lançaram o “Chamado para ação de governos locais e regionais sobre água e saneamento de Brasília”, a partir de debates com a participação de 150 prefeitos, governadores e deputados estaduais. A Conferência Parlamentar realizada durante o Fórum da Água reuniu 134 parlamentares de 20 nações. Já a conferência do setor judiciário contou com a presença de 83 juízes, promotores e especialistas e emitiu como documento final a “Carta de Brasília”.

Números
O encerramento oficial do 8º Fórum Mundial da Água será realizado na manhã desta sexta-feira (23). Os debates técnicos já terminaram. Durante o evento foram realizadas cerca 300 sessões de discussão. Até o início da tarde desta quinta-feira, haviam sido recebidas 85 mil pessoas de 172 países. O diretor-executivo do Fórum, Ricardo Andrade, disse que os resultados obtidos fizeram da edição de Brasília a maior de todas. Sete rodadas foram realizadas anteriormente: Marrakesh, Marrocos (1997); Haia, Holanda (2000); Quioto, Japão (2003); Cidade do México, México (2006); Istambul, Turquia (2009); Marselha, França, (2012); e Gyeongju e Daegu, Coréia do Sul, (2015). O 9º Fórum Mundial da Água será realizado em 2021 em Dacar, no Senegal.

https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Sustentabilidade/noticia/2018/03/agricultura-precisa-ter-mais-eficiencia-hidrica-aponta-conselho-da-agua.html